Deputado federal afirma que ex-presidente foi detido de forma arbitrária e classifica decisão do ministro do STF como abuso. Gayer diz que irá a Brasília para definir ações e convoca apoiadores à mobilização e oração.
Por Richelson Xavier
O deputado federal por Goiás, Gustavo Gayer, criticou duramente a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, detido na manhã deste sábado, 22, em Brasília, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em publicações nas redes sociais, Gayer classificou a operação da Polícia Federal como injusta e excessiva, e afirmou que a decisão representa um novo patamar de crise institucional no país.
Segundo o deputado, Bolsonaro foi surpreendido às 6h20 da manhã com a chegada de cinco viaturas da Polícia Federal em sua residência. Gayer afirmou que a justificativa apresentada para a prisão seria a preservação da ordem pública, o que, para ele, não se sustenta. O parlamentar destacou o estado de saúde do ex-presidente e disse que a decisão demonstra, nas palavras dele, “maldade”, “injustiça” e “sadismo”.
Gayer também afirmou que a suposta violação da tornozeleira eletrônica, apontada por Moraes, não justificaria a prisão. Para o deputado, o monitoramento ao qual Bolsonaro estava submetido impediria qualquer tentativa de fuga. Em sua fala, ele disse que há policiais permanentes no local e que nenhum veículo entra ou sai da casa sem fiscalização.
O deputado ainda criticou o fato de a prisão ter sido autorizada em um sábado, quando não há parlamentares em Brasília, o que, segundo ele, teria o objetivo de evitar mobilização política. Gayer comparou o episódio à multa aplicada ao PL após questionamentos sobre urnas eletrônicas e disse que a estratégia se repete.
Para o parlamentar, a prisão do ex-presidente ocorre sem provas e coloca o país em um cenário de extrema instabilidade. “Colocar um Bolsonaro, um cara de 70 anos, na cadeia, um cara que não cometeu nenhum crime, não tem nenhuma prova contra ele. Brasil, a gente está numa situação muito complicada”, afirmou. Ele acrescentou que o episódio marca um momento em que cidadãos não sabem “como chegamos nesse buraco”.
Em tom de mobilização, Gayer declarou que irá a Brasília imediatamente para participar de reuniões sobre os próximos passos e que não aceitará o que considera uma injustiça. “Nós vamos tomar decisões do que a gente vai fazer, porque não dá para aceitar isso de forma inerte”, disse.
O deputado também afirmou que teme represálias por suas declarações, mas reforçou que continuará expressando sua opinião. “Eu tenho que me controlar para não usar palavras que eu realmente gostaria de usar, porque senão também eu vou ser preso. Porque hoje, no Brasil, você não pode demonstrar o que você realmente pensa.”
Em sua fala mais enfática, Gayer afirmou que, na visão dele, o “crime” de Bolsonaro teria sido despertar o patriotismo. “O crime do Bolsonaro foi ter acendido a chama do patriotismo, foi ter feito o povo acordar para esse sistema podre, diabólico, que quer nos aprisionar.”
O parlamentar concluiu conclamando apoiadores à oração e à mobilização nacional: “O Brasil vai parar se for preciso, mas isso não vai ser aceito assim. Vamos todo mundo entrar em oração agora. Eu peço para que todos orem. Orem bastante para a gente poder resgatar essa nação.”
Jair Bolsonaro foi preso por determinação de Alexandre de Moraes antes do trânsito em julgado dos recursos no processo em que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela acusação de tentativa de golpe de Estado. A decisão ocorre no âmbito das investigações sobre ataques às instituições democráticas.














