Levantamento da Equatorial aponta mais de 22 GWh furtados, 370 operações e 188 prisões no estado.
Por Redação
A Equatorial Goiás intensificou, ao longo de 2025, as ações de combate ao furto de energia elétrica em todo o estado, com apoio direto das forças policiais. Levantamento da concessionária aponta que, somente neste ano, a energia consumida e não registrada ou paga já ultrapassa 22,47 gigawatt-hora, volume considerado expressivo e com impactos diretos no sistema elétrico e na sociedade.
Para dimensionar o prejuízo, a companhia destaca que essa quantidade de energia seria suficiente para abastecer integralmente a cidade de Pirenópolis por mais de um ano, considerando um consumo médio residencial de 180 kWh por mês. Em outra comparação, o montante desviado em 2025 poderia manter Anápolis abastecida por 23 dias, Aparecida de Goiânia por 19 dias e Goiânia por seis dias, evidenciando a escala do problema.
De acordo com a Equatorial Goiás, os números são resultado de mais de 370 operações realizadas ao longo do ano para identificar e coibir ligações clandestinas. As ações culminaram em 188 prisões relacionadas a crimes de furto de energia. Entre os municípios com maior número de casos registrados estão Goiânia, com 5.118 ocorrências, a Região Metropolitana, com 5.105, Luziânia, com 4.341, Uruaçu, com 2.360, Morrinhos, com 2.346, Montes Belos, com 2.258, Anápolis, com 2.083, Rio Verde, com 2.035, e Iporá, com 1.459 casos.
O gerente corporativo de segurança empresarial da Equatorial Goiás, Johnathan Costa, ressalta que o furto de energia vai além de uma infração penal e representa grave ameaça à segurança da população. Segundo ele, ligações clandestinas podem provocar curtos-circuitos, incêndios, acidentes fatais e sobrecarga da rede elétrica, comprometendo a qualidade do fornecimento. Costa afirma que a atuação da concessionária é firme, integrada e preventiva, com foco na proteção de vidas, da infraestrutura elétrica e na garantia de um serviço seguro e confiável.
Os dados apresentados pela empresa seguem critérios técnicos rigorosos. A Equatorial Goiás conta com laboratório próprio de ensaios em medidores de energia elétrica certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, conforme a norma ISO/IEC 17025. A certificação atesta que as análises realizadas atendem a padrões internacionais de qualidade, assegurando precisão, confiabilidade e rastreabilidade, inclusive em casos relacionados a investigações de furto de energia.
Segundo o executivo de perdas da Equatorial Goiás, Marcelo Quintanilha, o reconhecimento do Inmetro consolida a capacidade técnica da concessionária e reforça a transparência dos resultados apresentados à sociedade. Ele destaca que a certificação é fruto de um trabalho integrado entre diferentes áreas da empresa, com revisão de processos, adequações técnicas e auditorias especializadas.
Além do impacto financeiro, o furto de energia compromete a estabilidade da rede elétrica e prejudica consumidores que utilizam o serviço de forma regular. A concessionária alerta que práticas irregulares afetam toda a comunidade, elevam os custos operacionais e aumentam os riscos de interrupções no fornecimento.
O combate a esse tipo de crime também ganhou reforço no campo legal. Com a sanção da Lei nº 15.181, em 28 de julho de 2025, as punições para crimes relacionados a fios, cabos e equipamentos do sistema elétrico tornaram-se mais severas. A pena para furto qualificado de materiais essenciais passou a variar de dois a oito anos de reclusão, além de multa. Em casos de roubo que comprometam serviços públicos essenciais, a pena pode chegar a 12 anos de prisão. Já a receptação pode resultar em até oito anos de reclusão na forma qualificada, com possibilidade de agravamento quando envolve serviços essenciais.
A Equatorial Goiás reforça que a participação da população é fundamental no enfrentamento ao furto de energia. Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio da Central de Atendimento, pelo telefone 0800 062 0196. Segundo a concessionária, a colaboração dos cidadãos é decisiva para reduzir riscos, preservar vidas e garantir um fornecimento de energia justo e seguro para todos.













