Em entrevista ao Jornal da Voz FM, Lara Bernades destacou os impactos emocionais da violência contra crianças e adolescentes e reforçou a importância da observação, da denúncia e do acompanhamento psicológico.
Por Richelson Xavier
A psicóloga Lara Bernades foi a entrevistada desta sexta-feira (12) no Jornal da Voz FM, apresentado pelo radialista Richelson Xavier. A participação integra uma série especial de reportagens promovida pela emissora em parceria com o Portal Anápolis sobre a violência contra crianças e adolescentes. Durante a entrevista, a especialista chamou a atenção para os danos emocionais causados por diferentes formas de violência e destacou que, muitas vezes, as marcas mais profundas não são visíveis. “A violência na infância e na adolescência não deixa apenas marcas no corpo. Ela afeta o desenvolvimento emocional e psicológico da criança”, afirmou. Segundo Lara, entre as consequências mais comuns estão ansiedade, depressão, baixa autoestima, insegurança, sentimentos de vergonha, dificuldade de confiar nas pessoas, irritabilidade, agressividade e queda no rendimento escolar.
Ao responder sobre os sinais que podem indicar que uma criança está sendo vítima de violência, a psicóloga ressaltou que a observação dos adultos é fundamental. “Muitas vezes até um vizinho pode salvar uma criança da violência”, alertou. Lara explicou que mudanças bruscas de comportamento devem ser encaradas como sinais de alerta, incluindo isolamento social, tristeza persistente, medo excessivo de determinadas pessoas ou ambientes, agressividade, regressão comportamental, alterações no sono, pesadelos frequentes e até a sexualização precoce. Ela destacou que nem sempre a criança consegue verbalizar o que está vivendo e, por isso, uma escuta acolhedora e atenta pode fazer toda a diferença na identificação do problema e na busca por ajuda especializada.
A especialista também fez um alerta sobre os impactos da violência na vida adulta quando o trauma não é tratado adequadamente. Segundo ela, crianças que não recebem acompanhamento psicológico podem desenvolver dificuldades nos relacionamentos afetivos, transtornos de ansiedade, depressão, baixa autoestima e até dependência de álcool e drogas. “Uma criança que passou por violência sempre vai precisar de ajuda especializada porque nem sempre ela consegue elaborar sozinha o que aconteceu com ela. Esses traumas podem acompanhá-la ao longo da vida”, explicou. Para Lara, o atendimento psicológico é essencial para interromper esse ciclo de sofrimento, permitindo que a vítima ressignifique a experiência traumática e construa uma vida mais saudável e equilibrada. Ao final da entrevista, ela elogiou a iniciativa da Rádio Voz FM e do Portal Anápolis em promover o debate. “Esse trabalho de conscientização que vocês estão fazendo é fundamental. Vocês estão de parabéns”, concluiu.












