Delegado afirma que documentos encontrados no local apontam para um planejamento minucioso e que celulares das vítimas serão fundamentais para esclarecer a motivação do caso.
Por Richelson Xavier – Imagem: Reprodução
A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quarta-feira (24) novos detalhes sobre as investigações que apuram as mortes da diretora do Colégio Estadual Heli Alves Ferreira, Tatiana Chagas, e de sua companheira, Vanessa Souza, em Anápolis. Em entrevista, o delegado Cleiton Lobo, responsável pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), afirmou que o caso é tratado, neste momento, como um duplo autoextermínio. Segundo ele, as evidências encontradas no local, incluindo cartas deixadas pelas vítimas, reforçam essa hipótese. “Encontramos cartas que demonstram, de forma inequívoca, que elas planejaram o ocorrido”, declarou. Apesar disso, a polícia segue ouvindo familiares e pessoas próximas para verificar se houve algum tipo de induzimento ou instigação.
De acordo com o delegado, um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi o grau de organização demonstrado pelas vítimas. As cartas continham orientações detalhadas sobre seguros, pagamentos pendentes, destinação de móveis, roupas e objetos pessoais. Segundo Cleiton Lobo, elas chegaram a deixar separadas as roupas que deveriam ser utilizadas durante os velórios. “Foi um planejamento muito estruturado sobre os desdobramentos após o óbito”, afirmou. O delegado destacou ainda que, em seus 15 anos de carreira, sendo 12 deles fora de Brasília, nunca havia se deparado com um caso semelhante. “É a primeira vez que me deparo com uma situação desta natureza”, ressaltou.
Embora especulações sobre possíveis dívidas ou situações de coação tenham circulado após a divulgação do caso, o delegado informou que, até o momento, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada nos depoimentos já colhidos. Os celulares das vítimas foram apreendidos e estavam desbloqueados, o que permitirá uma análise aprofundada do conteúdo armazenado nos aparelhos. Segundo Cleiton Lobo, as cartas não apresentam uma justificativa específica para a decisão tomada pelas duas mulheres, mencionando apenas dificuldades pessoais de forma genérica. Agora, a expectativa da investigação está concentrada nos laudos periciais, nos exames complementares e nos depoimentos das pessoas citadas nos documentos deixados pelas vítimas, na tentativa de esclarecer as circunstâncias e as motivações desse episódio que causou forte comoção em Anápolis.












