Decisão da Executiva estadual por representação de infidelidade partidária ocorre enquanto prefeito mantém apoio a Daniel Vilela; gesto de Flávio Bolsonaro e posições de outras lideranças do PL levantam questionamentos nos bastidores.
Por Richelson Xavier
A Executiva estadual do PL de Goiás decidiu, na manhã desta quinta-feira (27), receber uma representação que pede a expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, por suposta infidelidade partidária. O motivo apontado é o apoio público do prefeito ao governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB), contrariando a posição oficial do PL na disputa pelo Governo de Goiás. A decisão, no entanto, ocorre em meio a uma situação que chama atenção nos bastidores: na última sexta-feira, justamente no dia em que o partido anunciou que notificaria Márcio, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, gravou um vídeo enviando um abraço ao prefeito. O gesto ganha ainda mais peso porque Flávio recebeu Márcio recentemente em Brasília, em uma reunião que também contou com a presença do candidato ao Senado Gustavo Gayer.
O episódio abre uma discussão dentro do próprio campo bolsonarista sobre a estratégia adotada pelo PL goiano. Márcio Corrêa não apenas mantém uma relação próxima com Flávio Bolsonaro, como também apoia Gustavo Gayer na disputa pelo Senado e Major Vitor Hugo na corrida pela Câmara dos Deputados, ambos do PL. O prefeito, portanto, segue ajudando candidatos do partido enquanto declara apoio a Daniel Vilela para o governo estadual. A contradição fica ainda mais evidente diante de outros movimentos políticos: o prefeito de Campo Limpo de Goiás, Alzemar Neto (PL), também declarou apoio a Daniel e participou da carreata realizada na cidade na quarta-feira (26), ao lado do governador e de Gracinha Caiado. O ato contou ainda com a participação da ex-prefeita e candidata a deputada estadual Graciele da Arte Trigo.
Outro caso que chama atenção é o do próprio PL de Anápolis. O segundo vice-presidente estadual da legenda e presidente do diretório municipal, Hélio Araújo, também declarou apoio a candidatos que não pertencem ao partido. Segundo o cenário relatado nos bastidores, ele apoia o deputado federal Daniel Agrobom, do PSD, e um candidato a deputado estadual pelo Mobiliza. A sucessão de episódios levanta uma questão inevitável: por que a direção estadual decidiu avançar contra Márcio Corrêa enquanto outros integrantes ou aliados do PL também adotam posições diferentes da orientação partidária? A resposta poderá definir se o caso representa uma tentativa de preservar a disciplina partidária ou se, como já começa a ser questionado nos bastidores, trata-se de uma disputa política interna em meio a uma eleição marcada por alianças que ultrapassam as fronteiras dos partidos.












