Candidato ao Senado apela ao ministro do STF, relator da revisão criminal apresentada pela defesa do ex-presidente, e usa investigações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro para questionar julgamento.
Por Richelson Xavier – Foto: Reprodução
O deputado federal e candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL) usou as redes sociais na tarde desta quarta-feira (2) para fazer um apelo direto ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, pela anulação da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O senhor tem nas suas mãos hoje um pedido de revisão penal no julgamento do Bolsonaro”, afirmou Gayer, antes de pedir que o ministro conceda uma liminar. A defesa de Bolsonaro protocolou em maio uma revisão criminal contra a condenação definitiva por tentativa de golpe de Estado, tendo Nunes Marques sido sorteado relator. Segundo o próprio STF, esse instrumento pode ser utilizado após o trânsito em julgado para buscar a anulação da condenação, a alteração da classificação dos crimes ou a redução da pena, e a competência para o julgamento da revisão é do Plenário da Corte.
No vídeo, Gayer relacionou seu pedido às recentes revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O candidato afirmou que Moraes teria recebido dinheiro e favores enquanto julgava Bolsonaro e declarou que o processo contra o ex-presidente teria sido injusto. As declarações representam a interpretação e as acusações feitas por Gayer. Documentos recentes da Polícia Federal revelaram mensagens que indicam proximidade entre Vorcaro e Moraes, além de referências a encontros e contatos entre os dois. A investigação também identificou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e uma negociação de outro contrato, de R$ 50 milhões, que previa cotas de aeronaves como parte do pagamento. O escritório afirma que esse segundo contrato não chegou a ser firmado.
Gayer também mencionou cartões de crédito destinados aos filhos de Moraes. Relatório da PF divulgado nesta semana registra mensagens relacionadas à emissão de cartões para dois filhos do ministro e negociações envolvendo o banco. As revelações ampliaram a crise em torno do caso Master, e o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que adotará as medidas que considerar cabíveis e necessárias diante do episódio. A Procuradoria-Geral da República, por outro lado, pediu a nulidade do relatório da PF, sob o argumento de irregularidades na forma como a apuração foi iniciada. Em meio à controvérsia, Gayer encerrou o vídeo pedindo que seus seguidores compartilhem a gravação para que ela chegue a Nunes Marques: “Anule o julgamento. Anule, assine uma liminar, libertando Bolsonaro”.












