Titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente faz apelo direto a pais e responsáveis e aponta risco crescente do acesso de crianças a conteúdos ilegais na internet.
Por Richelson Xavier
A delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, Aline Lopes, fez um alerta a pais e responsáveis após a prisão de um piloto de avião suspeito de integrar uma rede organizada de exploração sexual infantil. Em entrevista, a delegada reforçou que o perfil do suspeito demonstra que crimes desse tipo podem estar associados a qualquer pessoa. “A pedofilia não escolhe classe social, nível de escolaridade, idade, não há cara. Qualquer cidadão, aparentemente de bem, pode, na verdade, ser um pedófilo”, afirmou.
Segundo a delegada, o avanço da tecnologia e o acesso precoce de crianças e adolescentes à internet ampliam os riscos. Ela destacou que o consumo de pornografia infantil tem se tornado mais fácil, muitas vezes sem o conhecimento das famílias. “Com um simples clique, um simples toque na tela do celular, qualquer pessoa de qualquer idade pode acessar conteúdo pornográfico infantil. Isso não está apenas em sites específicos, mas dentro de jogos, plataformas e redes sociais”, alertou. Aline também ressaltou o impacto desse tipo de conteúdo no desenvolvimento mental de crianças e adolescentes, podendo afetar comportamento, caráter e formação psicológica.
Durante o alerta, a delegada reforçou a necessidade de vigilância ativa por parte das famílias. Entre as medidas recomendadas estão controle do tempo de tela, uso de ferramentas de controle parental, acompanhamento constante das atividades online e limitação de conteúdos conforme a faixa etária. “O mínimo que nós, pais, podemos fazer é controlar o tempo de tela, controlar o conteúdo, participar e entender o que a criança está fazendo na internet. Diante de qualquer suspeita, é preciso suspender o uso”, destacou. Ela ainda chamou atenção para o risco de crianças não apenas se tornarem vítimas, mas também autores de crimes no futuro, caso expostas continuamente a conteúdos ilegais.
O alerta ocorre após a prisão de um piloto da Latam, de 60 anos, suspeito de exploração de pornografia infantil e estupro de vulnerável há pelo menos oito anos. Ele foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o suspeito pagava entre R$ 30 e R$ 100 por imagens de exploração sexual infantil, além de ser investigado por frequentar motéis com menores e armazenar e comercializar material ilegal. Uma mulher de 55 anos também foi presa suspeita de receber dinheiro pela exploração das próprias netas, de 10, 12 e 14 anos. O caso segue sob investigação.












