Em entrevista ao Jornal da Voz FM, professora Paula Feitoza analisa a crescente demanda pela nutrição, o papel do profissional na prevenção de doenças e os desafios da formação em um mercado cada vez mais competitivo.
Por Richelson Xavier
A crescente preocupação das novas gerações com saúde e bem-estar tem impulsionado a procura pelo curso de nutrição e ampliado a valorização da profissão. Em entrevista ao Jornal da Voz FM 107,7, em parceria com o portalanapolis.com, a coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário FAMA, Paula Feitoza, afirmou que o acesso às redes sociais e a popularização de perfis voltados à alimentação saudável e exercícios têm despertado o interesse por mudanças de hábitos e pelo ingresso na área. “As pessoas já não buscam apenas informações superficiais; querem personalização e orientação profissional, e isso amplia as oportunidades de atuação para os nutricionistas”, destacou.
Segundo a professora, que acumula mais de dez anos de consultório e um ano e meio à frente da coordenação do curso, a nutrição é uma “profissão do futuro”. Ela lembra que, embora muitos ainda associem o trabalho do nutricionista apenas ao atendimento clínico, há diversas áreas de atuação que vão da indústria de alimentos à saúde coletiva. “É um mercado em expansão, mas exige preparo. É isso que reforçamos na formação: olhar além do consultório e enxergar as inúmeras possibilidades da profissão”, disse.
Feitoza também ressaltou o papel estratégico da nutrição na prevenção de doenças crônicas relacionadas ao estilo de vida. Para ela, escolhas alimentares adequadas, controle de peso e planejamento de refeições são determinantes para evitar condições como obesidade e diabetes, inclusive em pessoas com predisposição genética. “A alimentação tem um poder enorme de condicionar o organismo. Com uma dieta equilibrada, é possível retardar ou até impedir a expressão de doenças, garantindo qualidade de vida e saúde metabólica”, afirmou.
Sobre os principais obstáculos enfrentados pela população para manter hábitos saudáveis, a professora aponta a falta de organização como um fator central. Ela explica que muitos recorrem à comida rápida ou a aplicativos de entrega por falta de planejamento. “Não é necessário transformar a rotina para comer bem. Com organização, lista de compras e preparo antecipado, é possível otimizar o tempo e garantir escolhas melhores. O nutricionista, nesse contexto, é um facilitador da rotina”, avaliou.
Feitoza também criticou preconceitos e práticas radicais na área, que afastam parte da população do acompanhamento nutricional. Ela defendeu que a formação deve ser sólida e conectada à prática, para que os profissionais não fiquem vulneráveis às “dietas da moda” e ao mercado superficial das redes sociais. “A nutrição é uma ciência, e o nutricionista precisa de base teórica consistente aliada à vivência prática. Só assim ele terá condições de propor mudanças reais e sustentáveis”, disse.
Por fim, a coordenadora destacou que o curso da FAMA busca formar nutricionistas preparados para atuar em ambientes clínicos, hospitalares e multidisciplinares, com professores experientes que aliam teoria e mercado. “O diferencial está em conectar teoria e prática desde o início da graduação, desenvolvendo senso crítico, comunicação e preparo técnico. O nutricionista é o único habilitado a prescrever dietas individualizadas, e precisa estar pronto para ocupar esse espaço com responsabilidade e competência”, concluiu.