Prefeita de Campo Limpo afirma que planejamento, fé e responsabilidade fiscal transformaram o município e confirma pré candidatura a deputada estadual.
Por Richelson Xavier
A entrevista da prefeita Graciele da Arte Trigo ao Jornal da Voz, na 107.7 FM, não foi apenas um balanço administrativo. Foi, sobretudo, uma declaração de método e de projeto político. Ao relembrar quase seis anos à frente da prefeitura de Campo Limpo de Goiás, ela resumiu o que considera o segredo de sua gestão em uma frase que sintetiza sua narrativa pública: “É só fazer as coisas certas e bem feitas”.
A fala pode soar simples demais para um ambiente político acostumado a discursos técnicos e promessas grandiosas. Mas é justamente nessa simplicidade que está a força do argumento. Segundo a prefeita, quando assumiu o município, a cidade enfrentava dificuldades financeiras e um período crítico marcado pela pandemia. “No começo nós tivemos um pouco de dificuldade, porque também foi naquela época do Covid-19, mas, ao passar do tempo, fomos desenvolvendo projetos, contratando as pessoas certas, valorizando o funcionário público, e conseguimos chegar a uma cidade organizada”, afirmou.
Organização, aliás, tornou se palavra recorrente na entrevista. Campo Limpo, que segundo ela era frequentemente associada a episódios de violência e manchetes negativas, hoje é apresentada como exemplo de estabilidade e crescimento. A prefeita associa essa transformação a planejamento estratégico e a um princípio que faz questão de destacar. “Quando você faz as coisas certas, Deus honra demais. Isso já é um passo na frente”.
Há, contudo, elementos concretos por trás da retórica. Graciele destaca a busca por emendas parlamentares para viabilizar obras e reformas sem comprometer excessivamente a receita própria do município. Em cidades pequenas, onde a arrecadação é limitada, o desafio é permanente. Ela reconhece a necessidade de “fazer malabarismo” com orçamento reduzido, mas sustenta que clareza e transparência tornam a carga administrativa menos pesada.
Outro ponto central da conversa foi a relação econômica com Anápolis. Campo Limpo passou a importar mão de obra especializada da cidade vizinha, além de contar com empresas anapolinas prestando serviço no município. A prefeita confirma o diagnóstico. “Hoje falta mão de obra, principalmente especializada. Temos esse relato de pessoas que trabalham em Campo Limpo e empresas de Anápolis que prestam serviço lá”.
No campo da infraestrutura, a duplicação do trecho que liga Campo Limpo à região da Fabril foi tratada como prioridade estratégica. A prefeitura assumiu o pagamento do projeto executivo, estimado em cerca de um milhão e meio de reais, dividido por etapas. Segundo ela, o vice governador Daniel Villela sinalizou interesse em agilizar a obra. A mensagem é clara. A cidade quer deixar de ser periférica e consolidar se como eixo de integração regional.
Mas o momento mais significativo da entrevista foi a confirmação de sua pré candidatura a deputada estadual. “Sim, eu estou nessa posição agora, como pré-candidata a deputada estadual”, afirmou. A prefeita relatou que tem visitado municípios da região para medir aceitação e compreender o ambiente político. Reconhece que vontade pessoal não basta. “Não é só você que tem que querer. As pessoas têm que aceitar você, seus projetos, seus propósitos”.
Ao anunciar que deixará o cargo até 31 de março para que o vice Alzemar Teixeira assuma, ela defende a ideia de renovação. “Todo mundo tem que ir para frente. Eu tenho oportunidade de ir para frente, a gente vai para frente, vai passando para outra pessoa”. A declaração revela ambição política, mas também tentativa de construir imagem de liderança que forma sucessores.
A definição partidária ainda está em aberto. Atualmente vinculada ao União Brasil, afirmou que decidirá sua filiação até meados de março.
As mensagens enviadas por ouvintes durante a entrevista reforçaram a percepção de aprovação local. Elogios à gestão, à postura pessoal e à trajetória empresarial na Arte Trigo compõem o capital simbólico que ela pretende levar para a disputa estadual.
Resta saber se a fórmula que funcionou em um município de pequeno porte terá a mesma eficácia em um cenário eleitoral mais amplo e competitivo. Graciele aposta que sim. Sustenta que a experiência administrativa, aliada a planejamento e valores pessoais, pode ser convertida em representatividade regional.
No fim, a frase que intitula esta análise resume seu projeto político. Para ela, governar é fazer o básico bem feito. A próxima eleição dirá se o eleitorado regional concorda com essa tese.














