Primeira-dama afirma que apenas 1.700 estavam cadastrados e defende ação nas ruas para alcançar até 40 mil pessoas fora dos programas sociais.
Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis
A pergunta feita pela primeira-dama Dra. Carla Lima durante a coletiva resume o espírito do novo programa social da Prefeitura de Anápolis. “Onde estão essas 30 mil pessoas?” Ao revelar que apenas 1.700 usuários estavam cadastrados nas faixas de pobreza 1 e pobreza 2 quando a atual gestão assumiu, ela expôs um descompasso entre o número oficial e a realidade vista diariamente nas ruas da cidade.
Foi a partir dessa constatação que nasceu o Elo Itinerante, lançado nesta quinta-feira (26), no Centro Administrativo Adhemar Santillo. Segundo Carla, a iniciativa surgiu da própria vivência à frente da secretaria. “Na nossa caminhada, realmente a gente vê várias famílias em extrema pobreza, em estado de vulnerabilidade, e a gente quer alcançar o maior número possível desses usuários para que a gente possa ter uma transformação eficiente.”
O diagnóstico é direto. De acordo com a primeira-dama, embora exista uma boa equipe nas unidades fixas dos CRAS, o modelo tradicional não consegue atingir toda a população vulnerável. “A unidade fixa, às vezes o usuário é impedido, impossibilitado por diversos fatores de buscar esse serviço, até mesmo de ter acesso às informações.” Para ela, não basta esperar que as pessoas procurem o poder público. É preciso ir até elas.
O Elo Itinerante funcionará por meio de uma van doada pelo Governo do Estado de Goiás no fim do ano passado. A expectativa é receber outras duas unidades para ampliar o alcance das equipes. A proposta é percorrer todos os bairros do município, utilizando pontos estratégicos, especialmente escolas, em parceria com a Secretaria de Educação. “Nós usaremos pontos estratégicos através das unidades escolares, onde todas as diretorias da Secretaria de Assistência Social terão seus representantes fazendo cadastro e direcionando a comunidade para os serviços.”
O atendimento será amplo e integrado. “Dos CRAS, para atenção básica, requisição de benefícios eventuais como cestas básicas, programas habitacionais, diretoria de Trabalho, Emprego e Renda para direcionamento aos cursos, levantamento de pessoas em extrema vulnerabilidade através do CREAS e do CRAM, e também com parte da equipe de saúde para fazer o direcionamento dessa comunidade.” A ideia é concentrar, em um mesmo ponto móvel, diferentes portas de entrada da política social.
Carla também enfatizou que a secretaria está preparada para a nova fase. “Já temos uma excelente equipe, completa, de pessoas extremamente dispostas, competentes e capacitadas.” Para ela, o desafio agora é ampliar o cadastro e garantir que quem tem direito consiga acessar os programas estaduais e federais.
Há ainda um componente de eficiência administrativa na estratégia. Em vez de abrir novas unidades físicas, o município aposta na mobilidade. “Isso com certeza é mais eficiente, e além disso a van não foi uma aquisição do município, foi um benefício doado pelo Governo do Estado de Goiás.” A primeira-dama destacou que a gestão tem enfrentado dificuldades financeiras e, por isso, tem buscado alternativas junto a deputados, senadores e ao governo estadual.
Nesse contexto, ganha relevância a promessa do senador Wilder Morais de destinar 10 milhões de reais para a área social. “Ainda não chegou até nós, mas temos a informação que chegará sim, e esse benefício será muito importante, porque temos programas de alto custo, como os restaurantes populares.” O recurso, se confirmado, poderá reforçar a estrutura da assistência social em áreas sensíveis.
Outro tema abordado foi a situação dos moradores de rua. A estimativa é de cerca de 400 pessoas nessa condição em Anápolis. Segundo Carla, o trabalho tem sido intensificado. “Está sendo bem ativo, atuante pelo CREAS, o Centro Pop funcionando a todo vapor, o COMPODE nos auxiliando, e já temos resultados de transformação de vidas através da empregabilidade.” Ela reconhece que ainda há muito a avançar, mas afirma que a assistência está sendo conduzida de forma adequada.
No centro de tudo permanece a pergunta que abriu a coletiva. “Onde estão esses mais 30 mil usuários? Como que podemos atingir, alcançar e fazer a transformação da vida deles?” O Elo Itinerante nasce como tentativa concreta de responder a essa inquietação. Mais do que um novo programa, trata-se de uma mudança de postura: sair da espera e assumir a busca ativa por quem sempre esteve à margem das estatísticas oficiais.














