Promotoria afirma que provas reunidas não demonstram exigência de repasses financeiros nem vantagem indevida por parte dos investigados.
Foto: Ismael Vieira/Câmara de Anápolis
O Ministério Público de Goiás solicitou à Justiça a absolvição sumária do ex-vereador de Anápolis Hélio Araújo (PL) e do ex-chefe de gabinete Elber Sampaio Araújo no processo que investigava a suposta prática de rachadinha na Câmara Municipal de Anápolis. A manifestação foi encaminhada ao Judiciário para análise após reavaliação das provas reunidas ao longo da investigação.
A denúncia havia sido recebida pela Justiça em setembro de 2025 e atribuía aos investigados a prática do crime de corrupção passiva. O caso teve origem em um relato apresentado pelo ex-assessor parlamentar Sinval Cavalcante Júnior, que apontava a existência de repasses de parte dos salários pagos pela Câmara Municipal. No entanto, no novo parecer encaminhado à Justiça, o promotor de Justiça Eliseu Antônio da Silva Belo afirma que o conjunto de provas analisado não demonstra a existência de vantagem indevida nem a exigência de valores por parte dos denunciados.
De acordo com o Ministério Público, um dos elementos centrais para a reavaliação do caso foi a retratação do próprio denunciante. Em depoimento formal prestado com a presença de advogado, Sinval Cavalcante declarou que as contribuições realizadas eram espontâneas e afirmou que apresentou a denúncia inicial “de cabeça quente”. O parecer também destaca que o ex-assessor mencionou divergências financeiras relacionadas a valores que ele reivindicava como acerto trabalhista, situação que, segundo a promotoria, compromete a confiabilidade do relato inicial.
A manifestação do Ministério Público também levou em consideração depoimentos de testemunhas e a análise de conversas extraídas de aparelhos celulares. Segundo o documento, os diálogos mostram apenas comunicações rotineiras de gabinete e não apresentam pedidos diretos de dinheiro ou indícios de pressão sobre servidores. Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram ainda que eventuais contribuições financeiras estavam ligadas a doações de natureza político-partidária direcionadas ao Partido Liberal, sem indicação de exigência ou coação.
Além de pedir a absolvição sumária dos investigados, o Ministério Público também solicitou a abertura de um novo inquérito policial para apurar possível prática de denunciação caluniosa por parte do ex-assessor responsável pela acusação inicial. Caberá agora ao Poder Judiciário analisar o pedido da promotoria e decidir sobre o encerramento ou continuidade do processo.














