Luís Miguel destaca avanço nas vendas, pressão da inadimplência e impacto dos juros como fatores que ainda limitam o ritmo do setor.
Por Richelson Xavier – Foto: Allyne Laís
Em conversa com o Portal Anápolis, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Anápolis, Luís Miguel, analisou o cenário atual do comércio com base nos dados mais recentes do Panorama do Comércio de março de 2026, apontando sinais de recuperação, mas também desafios relevantes para o setor.
De acordo com o levantamento, as vendas do comércio apresentaram crescimento no início do ano. Em janeiro de 2026, o varejo registrou alta de 0,4% na comparação mensal e de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o varejo ampliado avançou 0,9% no mês . Para Luís Miguel, esses números mostram uma retomada gradual, ainda que moderada.
“O comércio dá sinais de reação, principalmente após um período de retração no fim do ano passado. Mas é uma recuperação que precisa ser analisada com cautela, porque o cenário econômico ainda impõe limites”, afirmou.
Segundo ele, um dos principais fatores que continuam impactando o setor é o custo do crédito. O aumento da taxa de juros ao longo de 2025 ainda reflete no comportamento do consumidor e das empresas, reduzindo a capacidade de compra e investimento.
O estudo também mostra que o Produto Interno Bruto do país cresceu 2,3% em 2025, abaixo do registrado em 2024, evidenciando uma desaceleração da economia . Para o presidente da CDL, esse contexto ajuda a explicar o ritmo mais lento do comércio.
Outro ponto de atenção destacado por Luís Miguel é o nível elevado de endividamento da população. Dados do levantamento indicam que cerca de 73,7 milhões de brasileiros estão negativados, o que representa mais de 44% da população adulta . “Esse é um dos maiores desafios. Quando o consumidor está endividado, ele reduz o consumo, e isso impacta diretamente o comércio”, explicou.
Apesar disso, há indicadores positivos. A taxa de desemprego atingiu 5,1% no quarto trimestre de 2025, o menor nível da série histórica , o que contribui para manter a renda e sustentar, ainda que de forma limitada, o consumo.
O comportamento do consumidor também revela mudanças importantes. O PIX, por exemplo, já é o meio de pagamento mais utilizado por cerca de 80% dos brasileiros, consolidando uma transformação no perfil de consumo e nas operações do varejo .
Para Luís Miguel, o setor precisa acompanhar essas mudanças com rapidez. “O comércio que se adapta às novas formas de pagamento, ao digital e ao perfil do consumidor sai na frente. Hoje, não é mais uma opção, é uma necessidade”, afirmou.
Ele também ressaltou que a confiança do consumidor ainda está abaixo do ideal, o que exige atenção dos empresários. O índice de confiança permanece distante do nível considerado otimista, refletindo incertezas econômicas e cautela por parte da população .
Na avaliação do presidente da CDL, o ano de 2026 tende a ser de transição. A expectativa de redução dos juros pode estimular o consumo ao longo dos próximos meses, mas os efeitos não devem ser imediatos.
“O cenário aponta para uma melhora gradual. Não será uma virada rápida, mas, se houver estabilidade econômica e redução consistente dos juros, o comércio pode ganhar mais fôlego ao longo do ano”, concluiu.














