Em entrevista à Jovem Pan News, Aline Lopes destaca riscos em jogos, redes sociais e defende vigilância ativa no uso de celulares.
Por Richelson Xavier
A delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Anápolis, Aline Lopes, fez um alerta contundente sobre os riscos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, edição local na 105.7 FM. Segundo ela, a exposição sem supervisão pode ser ainda mais perigosa do que situações vividas no mundo físico. “Com toda certeza”, afirmou ao ser questionada se a internet representa mais riscos que a rua, comparando o acesso livre a deixar um filho sozinho em um ambiente cercado por criminosos.
Durante a entrevista, a delegada destacou a vulnerabilidade de crianças em plataformas digitais e citou o caso do jogo Roblox, que permite a criação de conteúdos sem moderação eficaz. De acordo com ela, esse tipo de ambiente facilita o acesso a conteúdos impróprios e a aproximação de criminosos. “Estamos falando de jogos que causam uma desumanização de crianças e adolescentes, porque eles vão ter contato com conteúdos de violência, sexo e outros materiais inadequados”, explicou. Aline Lopes também alertou que, a partir dessas plataformas, os criminosos migram para aplicativos como WhatsApp, Instagram e Telegram, onde conseguem manipular vítimas com maior facilidade.
A delegada ainda abordou o uso de outras plataformas, como o Discord, onde, segundo ela, adolescentes têm sido coagidos a participar de práticas criminosas para serem aceitos em grupos. Ela relatou casos extremos, incluindo situações de violência contra animais e desafios perigosos que podem levar até à morte. “O celular abre um portal de perigos que os pais sequer imaginam”, afirmou. Aline também citou episódios reais envolvendo desafios que resultaram em mortes de crianças e adolescentes no Brasil, reforçando a gravidade do cenário.
Como forma de prevenção, a delegada defendeu o uso de ferramentas de controle parental e, principalmente, a participação ativa dos pais na vida digital dos filhos. “Se os pais não estão dispostos a controlar o conteúdo, é melhor que não tenham acesso ao celular”, disse. Ela ressaltou que todas as plataformas oferecem mecanismos de controle e que cabe aos responsáveis buscar informação e acompanhar de perto o que os filhos acessam.
Por fim, Aline Lopes reforçou que o diálogo e a vigilância são fundamentais, especialmente durante a adolescência. “Adolescente não tem que ter privacidade. A privacidade é controlada, é vigiada”, afirmou. Segundo ela, os pais devem ter acesso aos dispositivos, conhecer os aplicativos utilizados e acompanhar as interações, como forma de proteger crianças e adolescentes em um ambiente que, apesar de comum no cotidiano, exige atenção constante.














