Mesmo com medicamento incorporado à rede pública e decisão judicial favorável, aposentado enfrentou demora no tratamento enquanto câncer avançava; Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos.
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
A morte do aposentado Antonio Carlos Striotto Marins, de 67 anos, reacendeu o debate sobre a eficiência do sistema público de saúde e a responsabilidade do governo federal no acesso a medicamentos de alto custo. Segundo reportagem do Poder360, o paciente passou mais de sete meses tentando obter o medicamento Keytruda, imunoterapia já incorporada ao Sistema Único de Saúde para o tratamento do tipo de câncer que enfrentava. Durante esse período, foi necessário recorrer à Justiça em diferentes ocasiões para obrigar o fornecimento da medicação, enquanto a doença avançava de forma agressiva.
De acordo com a reportagem, a primeira dose do medicamento só foi aplicada após meses de disputas judiciais e sucessivos entraves burocráticos. Quando o tratamento finalmente começou, o câncer já havia atingido o cérebro do paciente. Antonio Carlos recebeu apenas três aplicações e morreu no último dia 22 de maio. A advogada que acompanhou o caso afirmou que houve uma sequência de falhas administrativas e judiciais que atrasaram o acesso ao tratamento, mesmo existindo previsão legal para o fornecimento da medicação. O Ministério da Saúde foi procurado pelo Poder360 para explicar a demora e os motivos que levaram o paciente a buscar a Justiça, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem.
O caso também provocou reação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Ao comentar a situação, ele afirmou que episódios como esse demonstram a necessidade de reduzir a dependência da judicialização para garantir acesso à saúde. Segundo o magistrado, não se tratava de um medicamento experimental ou sem aprovação regulatória, mas de uma terapia já incorporada ao SUS para pacientes na mesma condição clínica. A situação expõe um cenário de negligência e falhas na execução das políticas públicas de saúde, levantando novos questionamentos sobre a capacidade do governo federal de garantir, na prática, tratamentos que já são assegurados pelo próprio sistema público.
Com informações do Poder 360












