Depredação de brinquedos recém-instalados durante o Carnaval reacende discussão sobre responsabilidade cidadã e preservação do patrimônio público em Anápolis.
Richelson Xavier
O que era para ser um período de lazer e convivência no feriado de Carnaval terminou em frustração no Parque Ambiental Ipiranga, em Anápolis. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram brinquedos recém-instalados sendo utilizados de forma inadequada por crianças com a conivência de adultos. O resultado foi previsível: equipamentos danificados antes mesmo de serem oficialmente liberados para uso da população.
Tanto o Parque Ipiranga quanto o Parque Ambiental da Jaiara passam por melhorias estruturais. A gestão pública investiu na modernização dos espaços, instalando brinquedos novos e mais seguros. No entanto, parte desses equipamentos ainda estava isolada, aguardando liberação técnica. Mesmo assim, imagens mostram mais de dez crianças utilizando brinquedos projetados para quatro usuários, enquanto alguns pais incentivavam o uso excessivo ao empurrar as estruturas.
A consequência foi a quebra e o dano de equipamentos que haviam sido adquiridos com recursos públicos para beneficiar a própria comunidade. O episódio revela um problema que vai além da depredação pontual. Expõe uma falha coletiva no cuidado com aquilo que pertence a todos. Também chama atenção a postura de parte dos presentes, que optaram por registrar as cenas em vídeo e posteriormente criticar o poder público, sem qualquer tentativa de intervenção no momento da irregularidade.
É legítimo cobrar da prefeitura manutenção, organização e investimentos. A população paga impostos e tem direito a espaços públicos de qualidade. No entanto, direitos caminham junto com deveres. Preservar o patrimônio público é responsabilidade compartilhada. Quando uma minoria danifica e a maioria se omite, a conta recai sobre toda a cidade. Equipamentos precisam ser substituídos, recursos são redirecionados e melhorias são atrasadas.
O problema não se restringe aos parques. Em diferentes bairros de Anápolis, o descarte irregular de lixo e entulho em áreas públicas continua sendo prática recorrente. Pequenos grupos insistem em comprometer a limpeza urbana, prejudicando o trabalho de manutenção e afetando a qualidade de vida da população. Não se constrói uma cidade organizada apenas com obras e investimentos. Constrói-se também com consciência coletiva.
O episódio no Parque Ipiranga deixa um alerta claro. Não basta exigir uma cidade melhor. É preciso agir como cidadão responsável. O zelo pelo espaço público começa na atitude individual. Enquanto parte da população continuar tratando o que é coletivo como se não fosse de ninguém, episódios como o deste feriado continuarão se repetindo.












