Mais de 200 recipientes foram danificados ou retirados dos locais de instalação; tecnologia utiliza mosquitos com bactéria natural para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya
A Prefeitura de Anápolis está alertando a população sobre a importância de preservar os baldinhos verdes instalados em árvores e outros espaços públicos da cidade. Os recipientes fazem parte do Método Wolbachia, uma estratégia de combate à dengue, zika e chikungunya desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em apenas duas semanas, cerca de 4 mil dispositivos foram instalados em 42 bairros. No entanto, durante uma vistoria em 1.670 pontos, as equipes identificaram a perda de 212 recipientes, encontrados quebrados, descartados em lixeiras ou abandonados em calçadas e lotes baldios. As ocorrências foram registradas principalmente na região Central e nos bairros Copacabana, Boa Vista, Vila Norte e Vila Góis.
Conhecidos como Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), os baldinhos contêm ovos do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, além de água e alimento para o desenvolvimento das larvas. Após aproximadamente 15 dias, os mosquitos saem dos recipientes e passam a se reproduzir com os que já circulam na cidade, transmitindo a bactéria às novas gerações. Presente naturalmente em diversas espécies de insetos, a Wolbachia dificulta a multiplicação dos vírus no organismo do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmitir doenças. O método não envolve modificação genética e já apresentou resultados positivos em outras localidades. Segundo dados divulgados sobre a iniciativa, foram registradas reduções de 89% nos casos de dengue em Niterói (RJ), 63% em Campo Grande (MS), 77% na Indonésia e 96% na Austrália.
A administração municipal reforça que os dispositivos são instalados exclusivamente em áreas públicas, como árvores, fachadas de estabelecimentos comerciais e calçadas, em pontos protegidos do sol e da chuva. A orientação é que os moradores não retirem, abram, danifiquem ou mudem os baldinhos de lugar, pois qualquer interferência pode comprometer a eficácia da estratégia. A manutenção e a substituição dos recipientes são realizadas por equipes responsáveis pelo projeto. A Prefeitura também destaca que o Método Wolbachia não substitui os cuidados tradicionais de prevenção. Eliminar recipientes que acumulam água, manter caixas-d’água bem fechadas e evitar possíveis criadouros do Aedes aegypti continuam sendo medidas fundamentais para proteger a população.













