Por Richelson Xavier
A notícia da captura e queda do ditador Nicolás Maduro marcou um momento histórico para a Venezuela e para toda a América Latina. Após anos de sofrimento provocado por um regime que concentrou poder, cerceou liberdades e viu sua legitimidade questionada internacionalmente, milhões de venezuelanos tomaram as ruas em festa, gritando, batendo panelas e celebrando a volta da esperança. A alegria nas cidades e nos prédios reflete não apenas o fim de um governo autoritário, mas o desejo profundo de um povo que há muito ansiava por dignidade, justiça e respeito.
A crise venezuelana foi marcada por graves acusações de corrupção, rupturas democráticas e desigualdades crescentes. Sob a liderança de Maduro, eleições foram amplamente criticadas por observadores internacionais e pela oposição venezuelana, que denunciou falta de transparência e manipulação de processos eleitorais para manter o poder. A sensação de ilegitimidade se aprofundou à medida que pilares institucionais, como o Judiciário e os órgãos eleitorais, ficaram sob forte controle do Executivo, comprometendo a independência democrática do país.
As denúncias contra o regime não se limitaram apenas ao campo político. O envolvimento de altos membros do governo em esquemas de narcotráfico e corrupção tornou-se uma marca triste dessa era. Autoridades dos Estados Unidos acusaram Maduro e seus aliados de crimes relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, oferecendo recompensas por informações que levassem à sua prisão e destacando a conexão entre o regime e organizações criminosas transnacionais. Ao mesmo tempo, um relatório estimou que atividades criminosas, como tráfico de drogas, contrabando e corrupção em setores estratégicos, chegaram a representar cerca de 15% do PIB venezuelano, revelando o impacto profundo do crime organizado sobre a economia e a vida dos cidadãos.
Por isso, a atual “festa da liberdade” nas ruas da Venezuela simboliza mais do que a queda de um homem. Representa o clamor de uma nação cansada de abusos, prisões políticas e sufocamento das liberdades básicas. A celebração é a expressão coletiva de um povo que sofreu com hiperinflação, migração em massa, insegurança e restrições políticas por mais de uma década. Agora, com o fim oficial do regime de Maduro, abre-se a chance de reconstruir a democracia, restabelecer o Estado de Direito e permitir que a Venezuela volte a ser um país de esperança e oportunidades para seus cidadãos.














