Prefeito reage a reportagem que aponta indiciamento de funcionários da Equatorial Goiás por fraude processual no caso João Victor e cobra esclarecimentos públicos da concessionária.
Por Richelson Xavier
Uma reportagem publicada pelo jornal O Popular revelou que dois funcionários da Equatorial Goiás foram indiciados por fraude processual no inquérito que apura a morte de João Victor Gontijo de Oliveira, de 10 anos, em Anápolis. O caso ocorreu em setembro do ano passado, quando a criança morreu após sofrer uma descarga elétrica ao pisar em um cabo energizado que estava caído no chão, na região da Vila Jussara. Após a divulgação da reportagem, o prefeito Márcio Corrêa (PL) usou suas redes sociais durante a madrugada para comentar o caso e manifestar indignação com os desdobramentos da investigação.
Em um relato emocionado, o prefeito afirmou que nunca havia tornado pública uma história pessoal ligada ao episódio, mas decidiu falar após ser provocado pela repercussão da reportagem. Márcio Corrêa contou que poucos dias antes da tragédia conheceu João Victor durante um evento da Semana da Pátria, realizado na Prefeitura de Anápolis, com a participação de escolas da rede municipal. Segundo ele, o menino demonstrou carinho espontâneo, o abraçou e lhe entregou uma correntinha como presente. “Guardei essa corrente na minha mesa. Confesso que fiquei emocionado com o gesto daquela criança”, relatou.
O prefeito descreveu ainda o impacto de receber a notícia da morte do menino poucos dias depois. Segundo Corrêa, ele esteve no local do acidente logo após o corpo ter sido recolhido, conversou com familiares, acompanhou os procedimentos periciais e manteve contato com os avós da criança. O momento mais marcante, de acordo com o prefeito, foi quando uma professora lhe mostrou a foto de João Victor e ele reconheceu que se tratava do mesmo menino que havia estado com ele no evento cívico. “Naquele momento, fiquei em estado de choque”, afirmou.
Ao comentar o conteúdo do inquérito, Márcio Corrêa fez duras críticas à Equatorial Goiás. Segundo ele, a concessionária não colaborou com a apuração desde o início e negligenciou a responsabilidade de fiscalizar e organizar o uso dos postes e cabos na cidade. O prefeito afirmou que funcionários da empresa teriam tentado substituir cabos no local do acidente para alterar a cena e atribuir a responsabilidade à prefeitura. “Tentaram trocar os cabos, retirar o cabo queimado e colocar outro sem danos, identificado como se fosse da prefeitura. Isso é gravíssimo”, declarou.
Corrêa disse ainda que os próprios funcionários teriam confessado que agiram sob orientação de superiores, o que, para ele, configura conduta criminosa. “Além de não ajudar, sumiram com provas e desrespeitaram a memória da criança e a dor da família”, afirmou. O prefeito também apontou falhas na fiscalização das empresas de telefonia que utilizam a estrutura dos postes, destacando que parte delas atua de forma desorganizada ou clandestina no município.
Por fim, o prefeito garantiu que a prefeitura não irá recuar e que seguirá cobrando responsabilização. Ele exigiu que a Equatorial Goiás se manifeste publicamente e reafirmou o compromisso da gestão com a busca por justiça no caso. “Nós vamos honrar a vida do João Victor e de sua família. Esse é um compromisso meu como prefeito, como cidadão e como ser humano”, concluiu.













