Por que a fé não exige orações perfeitas, mas entrega verdadeira diante de Deus.
Por Késia Dayane Cunha
Existe um princípio espiritual que atravessa o tempo e permanece inabalável: Deus não rejeita um coração quebrantado. Essa verdade não depende do lugar, da forma ou da performance. Ela ultrapassa barreiras espirituais e humanas. O que move o céu não é a eloquência da oração, mas a condição do coração que se apresenta diante de Deus.
Quando o Senhor encontra em nós um coração constrangido pela sua presença, algo muda na lógica da relação. As palavras perdem o protagonismo. A oração pode sair torta, confusa, interrompida. Os pensamentos podem não fazer sentido, as frases podem começar no meio e terminar em outro lugar. Ainda assim, Deus ouve. Não apenas o que é dito, mas o que está sendo entregue.
Há momentos em que a glória de Deus nos alcança de forma tão intensa que até as sinapses parecem se embaralhar. Nessas horas, não é a estrutura da oração que importa. É o rendido do coração. É esse lugar de vulnerabilidade, quase desesperada, que agrada a Deus. Um prazer santo de quem sabe que não tem outra saída senão se lançar por inteiro diante dEle.
A Bíblia deixa claro que Deus não rejeita aqueles que o buscam. Não os que acertam sempre, não os que sabem orar bonito, mas os que se aproximam com sinceridade. Esse sempre foi um marco da fé, e continua sendo ainda mais evidente agora, porque o Espírito Santo foi derramado. Ele não é uma promessa distante. Ele está aqui. Ele habita, conduz, intercede e revela.
Nada disso é por mérito humano. Se estamos aqui, é porque Ele nos trouxe até este lugar. Foi o Espírito quem despertou a busca, quem gerou o desejo, quem conduziu os passos. O encontro com Deus nunca começa na nossa iniciativa, mas na resposta a um chamado que já estava sendo feito.
Esse entendimento nos liberta da pressão de parecer espirituais e nos convida a sermos verdadeiros. Diante de Deus, não é necessário sustentar personagens. Um coração quebrantado rompe resistências, atravessa montes e alcança o céu. Porque, no fim, Deus não se move pelo discurso, mas pela entrega.













