Entrevista revela que obra deixou de prever acessibilidade, crescimento urbano e capacidade adequada para o fluxo de veículos.
Por Richelson Xavier
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), Igor Lino Siqueira, fez duras críticas ao projeto do Viaduto Nelson Mandela e afirmou que a obra, concebida em uma gestão anterior, foi planejada para resolver apenas um problema imediato de fluxo de veículos, sem considerar o crescimento urbano de Anápolis nem a circulação segura de pedestres. Em entrevista ao Jornal da Voz, da Rádio 107,7 FM, Igor classificou o local como um dos maiores gargalos do trânsito da cidade e revelou que a Prefeitura já trabalha em um projeto para corrigir as falhas estruturais.
Segundo o presidente da CMTT, o modelo adotado no viaduto seguiu uma lógica de engenharia ultrapassada. “Pensou apenas na Avenida Brasil e não na cidade”, afirmou. Ele explicou que a rotatória construída no local não possui dimensões adequadas para suportar o volume de veículos e revelou que documentos técnicos da época já apontavam problemas no projeto. De acordo com Igor, um engenheiro de trânsito chegou a emitir parecer contrário ao formato da rotatória, mas a recomendação não teria sido acatada. Além disso, o projeto não contemplou a travessia segura de pedestres. “Não existe espaço para encaixar uma faixa de pedestres. Quem precisa atravessar encontra uma estrutura que simplesmente não foi pensada para as pessoas”, destacou.

O presidente da CMTT também ressaltou que o problema vai além do desconforto diário enfrentado pelos motoristas. Segundo ele, o Viaduto Nelson Mandela tornou-se hoje o principal ponto crítico da mobilidade urbana de Anápolis, superando antigos gargalos que já foram solucionados pela atual gestão. Igor lembrou que intervenções realizadas nos trevos do Recanto do Sol e Ayrton Senna eliminaram congestionamentos históricos com obras de baixo custo e baseadas em estudos técnicos, modelo que agora deverá ser aplicado também na região do Nelson Mandela. “Hoje trabalhamos para resolver problemas pontuais deixados ao longo dos anos, e esse é, proporcionalmente ao fluxo de veículos, o maior desafio do trânsito de Anápolis”, afirmou.
De acordo com Igor Lino, a determinação do prefeito Márcio Corrêa é encontrar uma solução definitiva tanto para os motoristas quanto para os pedestres, corrigindo um projeto que, segundo ele, priorizou apenas a circulação de veículos. A expectativa é que um novo modelo de engenharia seja implantado no local, garantindo mais fluidez, segurança e acessibilidade. “Já estamos debruçados sobre esse projeto. É uma demanda antiga da população e vamos buscar uma solução que atenda a cidade como ela é hoje, pensando no presente e também no futuro”, concluiu.













