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Delegada faz alerta sobre crianças esquecidas após feminicídio: “Quem olha por esses órfãos?”

de Portal Anápolis
em Brasil
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Delegada faz alerta sobre crianças esquecidas após feminicídio: “Quem olha por esses órfãos?”
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Titular da DPCA de Anápolis, Aline Lopes chama atenção para a realidade dos filhos de vítimas de feminicídio, critica ausência de suporte do Estado e pede mais políticas públicas de proteção.

Por Richelson Xavier

A delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, Aline Lopes, usou as redes sociais para fazer um forte desabafo sobre uma realidade pouco debatida no Brasil: a situação das crianças que ficam órfãs após casos de feminicídio. Em vídeo publicado recentemente, a delegada questionou a falta de atenção voltada aos filhos das vítimas e afirmou que o sistema, muitas vezes, concentra esforços nos direitos do autor do crime, enquanto as crianças atingidas pela tragédia permanecem invisíveis. “Órfãos do feminicídio. Quem olha por eles?”, questionou.

Segundo Aline Lopes, o impacto do feminicídio vai além da morte da mulher e atinge diretamente crianças que, em muitos casos, presenciam o assassinato da própria mãe. A delegada citou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que estimam que cerca de 2 mil crianças ficam órfãs todos os anos em decorrência desse tipo de crime. “Essas crianças, muitas vezes, além de perder a mãe, perdem também o pai. Quando o autor do crime é o pai, ou ele foge, ou está preso, ou comete suicídio. O que sobra? Na melhor das hipóteses, uma avó, uma tia, um familiar que assume essa criança sem nenhum suporte do Estado”, afirmou. Ela também alertou para consequências emocionais profundas, como estresse pós-traumático, ansiedade, depressão e o risco de reprodução do ciclo de violência na vida adulta.

Durante a manifestação, a delegada reconheceu a existência da Lei 14.717, de 2023, que prevê uma pensão especial de um salário mínimo para crianças órfãs do feminicídio, mas afirmou que a medida ainda é insuficiente diante da dimensão do trauma enfrentado. “Nenhuma lei devolve a mãe. Nenhuma pensão apaga o trauma que essas crianças viveram”, disse. Ao final, Aline Lopes fez um apelo para que mulheres em situação de risco procurem ajuda e denunciem sinais de violência antes que os filhos façam parte dessa estatística. “O sistema ainda não aprendeu a enxergá-las. Enquanto as leis se preocupam com os inúmeros direitos do assassino, as vítimas invisíveis crescem sem acompanhamento, sem escuta e sem políticas públicas efetivas”, concluiu.

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Um post compartilhado por Aline Lopes (@delegada_alinelopes)

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