Notícia-crime protocolada pela defesa do senador aponta suposta incitação à violência após discurso presidencial e cita milhares de publicações nas redes sociais.
Fotos: Ricardo Stuckert / Presidência da República e Waldemir Barreto/Agência Senado
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a abertura de um inquérito originário para apurar possíveis crimes de ameaça e incitação ao crime. A peça foi apresentada em 4 de junho de 2026 pelo escritório Tracy Reinaldet e tem como base declarações feitas por Lula durante um evento oficial realizado dois dias antes em Catalão, no interior de Goiás.
Segundo os advogados, o discurso presidencial ultrapassou os limites da crítica política ao associar Flávio Bolsonaro à figura histórica de Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar Tiradentes. Durante a fala, transmitida ao vivo pela TV Brasil em um evento realizado dentro de uma unidade do Instituto Federal, Lula chamou o senador de “vendilhão da pátria” e afirmou que “por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, encerrando a declaração com a pergunta: “o que merecem os traidores da pátria?”. Para a defesa, as declarações teriam potencial para estimular hostilidade e violência contra o parlamentar.
O documento também apresenta um levantamento sobre a repercussão do discurso nas redes sociais. De acordo com a petição, nas 24 horas seguintes à fala presidencial foram identificadas mais de 1.600 publicações contendo ameaças explícitas contra Flávio Bolsonaro, com termos como “matar”, “fuzilar” e “esfaquear”, além de cerca de 500 mensagens classificadas como ameaças veladas. Somadas, essas publicações teriam ultrapassado 14 milhões de visualizações. O pedido agora aguarda análise do Supremo Tribunal Federal, que decidirá se há elementos suficientes para a abertura de investigação formal.












