Ministro rebate comparação com a Lava Jato, cita atuação de organização com características mafiosas e afirma que investigação pode atingir interesses perigosos.
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Uma das sessões mais tensas dos últimos anos no Supremo Tribunal Federal (STF) marcou o julgamento envolvendo investigados ligados ao caso Banco Master. Durante a análise do pedido de liberdade do pai e do primo de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira, o ministro André Mendonça rebateu duramente críticas feitas por Gilmar Mendes. Ao contestar a comparação entre o caso e práticas atribuídas à Operação Lava Jato, Mendonça afirmou que o Supremo não estava julgando a operação, mas sim “a maior fraude financeira da história do país”. Gilmar havia argumentado que a prisão de familiares de investigados poderia representar uma estratégia para obtenção de delações, prática que foi alvo de críticas durante a Lava Jato.
Em sua manifestação, André Mendonça descreveu o que classificou como um esquema muito mais amplo do que um simples crime financeiro. Segundo ele, as investigações da Polícia Federal apontam para uma estrutura que envolveria indivíduos armados, armamentos de uso restrito, armas com identificação raspada, agentes infiltrados e pessoas ligadas ao jogo do bicho. Para o ministro, os elementos encontrados demonstram que o caso possui características que ultrapassam os limites dos chamados crimes de colarinho branco. “Aqui há contornos de máfia”, declarou. Mendonça também relembrou uma conversa anterior com Gilmar Mendes, ocorrida antes de sua chegada ao STF, quando ouviu que a função de ministro exigia coragem. Ao responder ao colega durante a sessão, afirmou que não teme pressões e ressaltou que levou quatro anos na Corte para decretar sua primeira prisão, destacando que não possui qualquer satisfação pessoal em determinar medidas dessa natureza.
O momento de maior impacto ocorreu na parte final de sua fala, quando o ministro sugeriu que a própria condução das investigações poderia colocá-lo em situação de risco. Mendonça afirmou que uma forma simples de interromper o avanço da apuração seria atingir fisicamente o relator do caso, acrescentando que se considera o elo mais vulnerável do processo, mas que a responsabilidade do cargo exige firmeza. Ao final do julgamento, a maioria da Segunda Turma decidiu manter as prisões preventivas dos familiares de Daniel Vorcaro. O placar terminou em 3 votos a 1, com André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques formando maioria, enquanto Gilmar Mendes ficou vencido.












