Ex-deputado constituinte critica leituras históricas do período e defende nova atuação política em 2026.
Por Richelson Xavier
O ex-deputado federal constituinte Pedro Canedo participou neste sábado (21) de uma mesa redonda no Jornal da Voz, da rádio 107.7 FM, onde abordou temas como política nacional, eleições de 2026, atuação do Supremo Tribunal Federal, desenvolvimento de Anápolis e os bastidores da elaboração da Constituição Federal de 1988. Durante a entrevista, o médico e ex-parlamentar relembrou sua trajetória política e falou sobre o momento histórico em que participou da Assembleia Nacional Constituinte responsável por redigir a Carta Magna que marcou o processo de redemocratização do país.
Ao recordar o período da Constituinte, Canedo destacou que o trabalho foi conduzido por lideranças políticas de diferentes correntes ideológicas, com responsabilidade institucional e compromisso com o país. Ele mencionou nomes que participaram daquele processo, como Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, além de parlamentares que ajudaram a construir o texto constitucional. Segundo o ex-deputado, a Constituição garantiu avanços importantes em direitos sociais, educação, saúde e participação política, sendo resultado de intensos debates e votações que muitas vezes avançavam pela madrugada.
Durante a conversa, Pedro Canedo também comentou sua visão sobre o período militar no Brasil e criticou o que considera distorções históricas sobre aquele momento. Em sua avaliação, o regime militar não deve ser interpretado como uma ditadura nos moldes descritos por setores da esquerda. “Isso é próprio da esquerda. Eles sobrevivem da mentira, eles sobrevivem das narrativas que criam”, afirmou ao comentar o debate histórico sobre o período. O ex-parlamentar também mencionou episódios recentes da política brasileira, incluindo os acontecimentos de 8 de janeiro, que segundo ele não configurariam tentativa de golpe militar.
Canedo ainda direcionou críticas ao atual funcionamento do Supremo Tribunal Federal, afirmando que a instituição teria se distanciado da função prevista na Constituição. Segundo ele, o tribunal passou a assumir protagonismo político que não estava previsto na concepção original da Carta de 1988. O ex-deputado citou decisões judiciais e posicionamentos de ministros como exemplos do que considera interferência excessiva do Judiciário em temas políticos. Para ele, o Senado Federal deveria exercer com mais rigor o papel de fiscalização institucional, inclusive avaliando processos de impeachment de ministros em casos de descumprimento da Constituição.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a situação econômica e administrativa de estatais brasileiras. Pedro Canedo citou os Correios e a Petrobras como exemplos de empresas que, em sua visão, perderam eficiência ao longo dos anos. Ele também comentou a transferência de um centro internacional de distribuição logística que havia sido planejado para Anápolis durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que acabou sendo deslocado para o Rio Grande do Norte. Segundo ele, a mudança representou perda de oportunidade para o município e para a região central do país.
Ao final da entrevista, o ex-constituinte revelou que as atuais discussões políticas e institucionais o motivaram a considerar um retorno à vida pública. Segundo Canedo, ele pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. De acordo com o ex-parlamentar, a decisão de voltar à política está ligada à defesa da Constituição e ao que ele considera a necessidade de enfrentar distorções institucionais no país. “Isso me fez voltar a sonhar em ser deputado federal. Não tenho rabo preso e quero trabalhar para que a Constituição seja respeitada”, afirmou.













