Ex-integrante do movimento e candidato a deputado federal por São Paulo visita ocupação em Sidrolândia, critica condições enfrentadas por famílias e acusa MST de transformar pobreza e vulnerabilidade em capital político.
Por Richelson Xavier
Pedro Pôncio, ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e candidato a deputado federal por São Paulo, entrou em um acampamento do movimento na região de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, para gravar um vídeo com críticas à organização e às condições encontradas no local. Ao mostrar barracos e estruturas do acampamento, Pôncio afirmou que famílias permanecem durante anos à espera do acesso à terra e acusou o MST de se aproveitar da vulnerabilidade social para ampliar influência política. “A pessoa que se submete a isso aqui só está preocupada com o que vai comer no dia de amanhã. Ela só está preocupada se vai ter arroz para comer. E o MST sabe muito bem. Para mim, isso é o mais perverso”, afirmou. As acusações apresentadas pelo candidato são de responsabilidade dele e não foram acompanhadas, no material fornecido, de manifestação do MST.
Ao relembrar o período em que integrou o movimento, Pôncio afirmou ter participado de atividades de formação política nas quais o agronegócio e o “grande capitalista” eram apresentados como adversários. O candidato classificou o acampamento como um ambiente de “exploração da pobreza e da vulnerabilidade” e disse que crianças também seriam utilizadas na formação de militantes. Pôncio ainda associou o movimento à construção de capital político para nomes da esquerda, citando Guilherme Boulos, Sâmia Bomfim, Erika Hilton e Glauber Braga, além de CUT e MTST. “Muitas famílias levam 30 anos aguardando essa promessa de prosperidade que nunca chega. Não há dignidade em um acampamento do MST”, declarou. Em outro momento, afirmou que sua experiência pessoal lhe permite denunciar uma realidade que, segundo ele, conhece por dentro.
No trecho final, Pôncio elevou o tom e transformou a visita em discurso de campanha. O candidato chamou o MST de “movimento terrorista”, classificação feita por ele, prometeu enfrentar politicamente a organização caso seja eleito e afirmou que pretende combater o que considera exploração de famílias vulneráveis e doutrinação política. Também criticou a relação de integrantes do movimento com o presidente Lula e pediu votos para sua candidatura, de número 3022. “Vocês não contavam que alguém se libertaria dessa maldição e se tornaria a maior voz de denúncia contra o MST”, disse. Pôncio encerrou afirmando que continuará expondo o que chama de “sistema de exploração da pobreza e da vulnerabilidade” e declarou: “O presente é deles, mas o futuro começou e o futuro é nosso”.












