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Quando o discurso jurídico perde o limite diante da apologia ao extremismo

de Richelson Xavier
17 de abril de 2026
em Opinião
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Quando o discurso jurídico perde o limite diante da apologia ao extremismo
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As declarações de Susana Botár expõem como parte do debate ideológico brasileiro tem relativizado a violência ao transformar grupos radicais em símbolos políticos.

Foto: Reprodução/Youtube

As declarações da advogada Susana Botár ao portal Opera Mundi não podem ser tratadas como mera opinião política. Quando uma profissional do Direito afirma que “respeita muito o Hezbollah” pelos seus “grandes feitos” e diz que o Hamas, depois de 7 de outubro, “mudou a chave do mundo”, o que se vê não é apenas um posicionamento ideológico, mas uma perigosa distorção moral do que representa a violência política no cenário internacional. Existe uma diferença profunda entre defender a causa palestina e romantizar organizações que carregam um histórico marcado por ataques contra civis, sequestros e o uso sistemático do medo como instrumento de poder.

A gravidade aumenta quando Susana classifica o Hamas como “um movimento de luta de resistência anticolonial”. Essa frase, isoladamente, pode parecer para alguns um exercício retórico. Mas quando se observa o contexto, ela revela uma tentativa de revestir ações brutais com uma linguagem acadêmica e militante que tenta suavizar o que é indefensável. O ataque de 7 de outubro de 2023 não foi apenas um episódio militar. Foi uma ação que deixou mortos, famílias destruídas e reféns arrastados para dentro de um conflito que já coleciona sofrimento há décadas. Chamar isso de inspiração política é ultrapassar uma linha que nenhuma sociedade séria deveria aceitar com naturalidade.

Outro trecho que merece atenção foi quando a advogada afirmou ter “grande admiração por Hassan Nasrallah”, liderança histórica do Hezbollah. Não se trata de uma declaração qualquer. Quando uma jurista brasileira, formada em instituições respeitadas, escolhe demonstrar admiração pública por figuras ligadas a organizações armadas, ela transforma o espaço do debate democrático em terreno de normalização do extremismo. O problema não está apenas na fala individual, mas no ambiente que passou a permitir que certas manifestações sejam apresentadas como análise sofisticada, quando na prática revelam um preocupante desprezo pelos princípios básicos da vida civilizada.

A liberdade de expressão é um pilar essencial da democracia e deve ser preservada. No entanto, liberdade não significa ausência de responsabilidade. Quem ocupa espaços de influência pública precisa compreender o peso das próprias palavras. Quando alguém com formação jurídica relativiza a barbárie em nome de uma narrativa política, o risco não é apenas o da polêmica momentânea, mas o da erosão silenciosa daquilo que sustenta qualquer sociedade democrática: a capacidade de distinguir claramente entre resistência legítima e glorificação da violência.

O que torna esse episódio ainda mais inquietante é perceber como parte do debate público brasileiro passou a tratar o radicalismo com indulgência seletiva. Dependendo de quem fala e de qual causa se defende, o que seria condenado em qualquer outro contexto passa a ser tolerado, explicado ou até celebrado. As falas de Susana Botár não merecem aplauso intelectual. Merecem crítica firme, porque quando o Direito deixa de proteger a dignidade humana para flertar com a apologia ao terror, o que está em risco não é apenas a coerência de uma profissional, mas a seriedade de toda a esfera pública.

Confira:

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