Aline Lopes, titular da DPCA, cita casos recentes no Acre, Distrito Federal e Pernambuco e orienta pais a vigiar uso de celulares, especialmente na madrugada.
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A morte de um menino de 10 anos no Acre reacendeu um alerta que já vinha sendo feito por autoridades de proteção à infância. A Polícia Civil investiga se o caso tem relação com desafios online. Episódios semelhantes foram registrados recentemente no Distrito Federal, onde uma menina de 8 anos morreu após inalar desodorante como parte de um desafio, e em Pernambuco, com a morte de uma menina de 11 anos. Diante desse cenário, a delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Anápolis, Aline Lopes, fez um alerta direto às famílias. “Um menino de 10 anos foi encontrado sem vida em casa, no estado do Acre. E a principal linha de investigação da polícia é que ele pode ter sido vítima de um desafio online. E esse não é o primeiro caso.”
A delegada chama atenção para a forma como esses conteúdos circulam. “Esses desafios estão cada vez mais comuns em plataformas, em redes sociais, em jogos que o seu filho acessa. TikTok, Roblox, Instagram, Discord. Todos esses são ambientes em que esses desafios acontecem de forma livre, sem nenhum tipo de controle pelas plataformas, e que o seu filho pode estar acessando, fazendo parte, sem que você faça ideia.” Segundo ela, as propostas começam como tarefas aparentemente simples, muitas vezes ligadas a recompensas dentro de jogos ou aceitação em grupos fechados. “Nesses desafios, a criança e o adolescente são orientados a cumprir determinadas tarefas que, no início, podem parecer inofensivas, em troca de alguma recompensa.” O problema é a escalada. “Essas tarefas incluem automutilação, prática de pequenos delitos contra a própria família, maus tratos a animais e até suicídio.”
Aline destaca que a maior parte dos aliciadores age durante a madrugada, quando há menos supervisão. “Proíba que o seu filho use o celular e o computador durante a madrugada, que é o principal horário em que esses desafios acontecem, e não permita que ele use o celular e o computador trancados dentro do quarto.” Ela reforça que a responsabilidade pelo acompanhamento é intransferível. “O seu filho é responsabilidade sua, assim como o conteúdo que ele acessa.” Entre os sinais de alerta apontados estão isolamento repentino, ansiedade quando está sem o celular, acordar de madrugada para usar a internet e esconder a tela ao perceber a aproximação dos pais.
A orientação da delegada é objetiva. Conversar sem julgamento, conhecer os aplicativos instalados, utilizar controles parentais e estabelecer horários claros para o uso das telas são medidas essenciais. Aline reforça que a internet não é um ambiente neutro e que a supervisão ativa é uma forma de proteção. “Se o seu filho acessa alguma dessas plataformas que eu falei, fique atento, verifique no histórico o tipo de conteúdo que ele tem acessado.” O alerta é direto: proteção digital é proteção real. Diante de casos que já resultaram em mortes, a prevenção deixa de ser excesso de cuidado e passa a ser medida de sobrevivência.














