Declaração foi interpretada como crítica à representatividade e provocou resposta firme de Jakson Charles.
Por Richelson Xavier
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Anápolis foi marcada por um novo confronto entre os vereadores Domingos de Paula (PDT) e Jakson Charles (PSB), depois que Domingos afirmou na Câmara que “eu falo para o meu eleitor. Eu não estou nem ai para o eleitor do senhor, nem para o eleitor do prefeito”. A declaração repercutiu entre os parlamentares por atingir diretamente a base política do prefeito Márcio Corrêa, eleito em 2024 com 106.263 votos no segundo turno, consolidando uma das maiores votações da história recente do município.
A fala foi interpretada por aliados do governo como um distanciamento do princípio constitucional da função parlamentar, já que o vereador, depois de eleito, passa a representar toda a população da cidade e não apenas o grupo que o levou ao mandato. Foi nesse contexto que Jakson Charles subiu o tom em plenário e respondeu que “falar a verdade aqui e defender um governo que tem a aprovação da população é respeitar o voto popular”, numa referência direta à legitimidade política construída nas urnas e ao respeito devido aos mais de cem mil anapolinos que escolheram a atual gestão.
Durante o debate, Jakson afirmou que a atuação parlamentar precisa ser sustentada por responsabilidade institucional e não por divisões políticas que desconsiderem parte da população. Segundo ele, o mandato não pode ser usado para separar cidadãos entre aliados e adversários, principalmente quando os temas discutidos envolvem áreas sensíveis como saúde pública. O vereador ainda reforçou que seu compromisso é com os fatos e com a cidade, argumentando que o Legislativo precisa atuar como instrumento de fiscalização, mas também de equilíbrio no debate público.
O episódio aumentou a tensão no plenário e evidenciou uma discussão mais profunda sobre o papel dos vereadores diante da sociedade. Para integrantes da base governista, a declaração de Domingos abriu espaço para um questionamento político importante dentro da Câmara: o de que um mandato popular não pertence apenas ao eleitor individual, mas a toda a cidade. Já nos bastidores, a reação de Jakson foi vista como uma defesa firme da legitimidade do resultado das urnas e da representatividade institucional do Legislativo municipal.














