Chefe da AGU atribui derrota a articulações políticas e votação histórica impõe ao governo Lula a escolha de um novo nome para o Supremo.
O Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, em uma derrota considerada histórica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, número insuficiente para alcançar os 41 votos necessários para aprovação. Após o resultado, ele agradeceu aos senadores que o apoiaram, mas afirmou que houve uma articulação política para inviabilizar sua nomeação e que sua imagem foi alvo de um processo de desgaste ao longo dos últimos cinco meses.
Durante coletiva, Jorge Messias afirmou que foi alvo de uma campanha de desconstrução, com a disseminação de informações falsas. Sem citar nomes, declarou que o governo tem conhecimento de quem teria atuado nos bastidores para barrar sua indicação. Nos corredores do Congresso, a avaliação é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teve atuação direta na consolidação da derrota ao longo das últimas semanas. A vaga no Supremo foi aberta após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado.
A rejeição representa um revés político relevante para o governo federal e é vista como um recado institucional do Senado. Apesar de não haver impedimento constitucional para uma nova indicação do mesmo nome, interlocutores do Palácio do Planalto apontam que a tendência é a escolha de um novo candidato para evitar novo desgaste. O episódio também ganha peso histórico, já que a Casa não rejeitava uma indicação presidencial ao STF desde 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto.
Com informações do SBT News













