Documento levado ao Ministério Público aponta supostas manobras contábeis na gestão anterior e acende alerta sobre o futuro da previdência dos servidores municipais.
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A denúncia envolvendo a situação financeira do Instituto de Seguridade Social dos Servidores Municipais de Anápolis (ISSA) ganhou repercussão na manhã desta sexta-feira (17) após ser destaque na programação da Jovem Pan News. A emissora revelou detalhes da representação protocolada no Ministério Público de Goiás que aponta possíveis irregularidades na condução da previdência municipal durante a gestão do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos). Segundo o documento apresentado pelo próprio instituto, manobras contábeis podem ter escondido um prejuízo de quase R$ 100 milhões, levantando preocupação sobre a estabilidade das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do município.
Durante a cobertura da Jovem Pan News, foram apresentados trechos da denúncia que apontam que parte do déficit previdenciário teria sido reduzida apenas nos registros contábeis, sem a entrada efetiva de recursos no caixa do instituto. Entre os principais pontos estão a utilização de áreas públicas avaliadas em aproximadamente R$ 100 milhões para compensar o passivo atuarial, mesmo sem liquidez, além da redução do déficit de cerca de R$ 7 bilhões para R$ 1,8 bilhão por meio de alterações nos critérios de cálculo. O documento também menciona antecipação de valores entre 2023 e 2024 para simular disponibilidade financeira, enquanto o saldo real do ISSA estaria em torno de R$ 7,9 milhões, valor considerado insuficiente para cobrir uma folha mensal superior a R$ 17 milhões.
A representação ainda relata mudanças estruturais no regime previdenciário sem respaldo técnico adequado, como a reunificação de massas de segurados e a revogação de um plano de custeio voltado à amortização do déficit bilionário. Diante da gravidade das informações divulgadas pela Jovem Pan News, o ISSA solicitou ao Ministério Público a abertura de auditoria nas contas do instituto e a investigação de possível improbidade administrativa por parte dos responsáveis. O caso também será encaminhado ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás e pode se tornar um dos episódios mais sensíveis da política administrativa recente em Anápolis.












