Mesmo sob pressão de grupos adversários e questionamentos sobre sua capacidade de articulação, prefeito termina as eleições de 2026 fortalecido após seus principais candidatos vencerem e amplia suas pontes políticas entre Anápolis, Goiânia e Brasília.
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As eleições de 2026 deixaram um recado importante sobre a nova configuração de forças em Anápolis. Márcio Corrêa não estava na urna, mas saiu dela como um dos grandes vencedores políticos do município. Depois de atravessar um período marcado por críticas, enfrentamentos e movimentos de grupos interessados em enfraquecer sua liderança, o prefeito colocou seu capital político à prova ao declarar apoio e pedir votos para diferentes candidaturas. O resultado foi objetivo: os principais nomes defendidos por Márcio foram eleitos, e alguns deles registraram em Anápolis desempenhos muito superiores às referências das eleições anteriores. Mais do que uma vitória circunstancial, o resultado mostra que o prefeito conseguiu transferir parte da força conquistada à frente da administração municipal para o campo eleitoral.
A votação de Daniel Vilela para o Governo de Goiás é um dos exemplos. Ele recebeu 121.764 votos em Anápolis, superando os 105.010 obtidos por Ronaldo Caiado na cidade em 2022, um crescimento de aproximadamente 16% na comparação entre os dois pleitos. Mas talvez nenhuma votação traduza melhor o tamanho dessa mobilização do que a de Carol do Amiltinho. Ela chegou a 109.002 votos em Goiás, sendo impressionantes 61.717 somente em Anápolis. Como referência, Amilton Filho havia recebido 22.683 votos no município em 2022. São contextos eleitorais distintos, mas a diferença, de aproximadamente 172%, evidencia a dimensão alcançada pela candidatura apoiada pelo prefeito e o peso que Anápolis teve na construção de uma votação histórica para deputada estadual.
O mesmo fenômeno apareceu nas disputas proporcionais e no Senado. Major Vitor Hugo recebeu 16.055 votos em Anápolis, diante dos 4.821 que havia conquistado na cidade quando foi eleito deputado federal em 2018. Célio Silveira protagonizou outro salto expressivo, passando de apenas 186 votos no município em 2022 para 14.936 em 2026. Gustavo Gayer, por sua vez, chegou a 121.488 votos na disputa pelo Senado. Comparações entre eleições para cargos diferentes precisam ser feitas com cautela, mas há um dado político impossível de ignorar: em 2022, Gayer havia registrado 11.654 votos em Anápolis para deputado federal. Em 2026, com Márcio diretamente envolvido em sua campanha na cidade, sua votação nominal atingiu outro patamar.
É justamente o conjunto dos resultados que torna a eleição especialmente relevante para Márcio Corrêa. Durante meses houve quem tentasse apresentar o prefeito como politicamente isolado, enfraquecido por disputas locais ou incapaz de transformar sua popularidade administrativa em influência eleitoral. As urnas produziram uma fotografia diferente. Márcio termina a eleição com aliados eleitos para o Governo de Goiás, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Isso significa mais do que prestígio pessoal. Significa construir canais diretos de interlocução em Goiânia e Brasília, fundamentais para buscar recursos, obras e investimentos para Anápolis.
Há ainda uma consequência que provavelmente será sentida muito além de 2026. Um prefeito que consegue reunir candidaturas de diferentes disputas, pedir votos publicamente e terminar a eleição com todos os principais nomes apoiados vitoriosos passa inevitavelmente a ocupar outro espaço na política estadual. Seus adversários podem continuar fazendo oposição, como é próprio da democracia, mas ficará mais difícil sustentar a narrativa de que Márcio Corrêa é apenas uma liderança municipal ou circunstancial. Depois dessas urnas, ele sai maior do que entrou. E talvez essa seja a principal mensagem deixada pelo eleitor anapolino: tentaram reduzir sua força política, mas o resultado eleitoral fez exatamente o contrário.












